Ciclo de Concertos Musical-Mente

Fundado em 2021, o Ciclo de Concertos Musical-Mente é uma parceria do Teatro Nacional São João e da DSCH – Associação Musical, com curadoria de Filipe Pinto-Ribeiro.

Trata-se de um ciclo de concertos que são introduzidos por palestras, apelidadas de “prelúdios”, de outras áreas do pensamento. Musical-Mente tem lugar no âmbito da Temporada do Teatro Nacional São João, no Porto, sendo os concertos realizados no Mosteiro de São Bento da Vitória e no Teatro Nacional São João.

O 1.º Ciclo Musical-Mente explorou o cruzamento entre a música e as neurociências, em concertos de música de câmara com prelúdios científicos sobre a relação entre a música e o cérebro. Entre Novembro de 2021 e Junho de 2022, quatro Quartetos de Cordas de excelência – Michelangelo, Hermès, Cosmos e Gropius –  estrearam-se em Portugal e interpretaram obras de referência de grandes compositores. Os “prelúdios” estiveram a cargo de quatro convidados e investigadores de renome internacional –  Barbara Tillmann, Nuno Sousa, Maria Majno e Stefan Kölsch – lançaram temáticas sobre a relação íntima (fisiológica, terapêutica) entre a música (o som, o ruído) e o cérebro.

A reflexão entre a música e a ciência foi alargada no 2.º Ciclo Musical-Mente, estendendo-se à Física, com uma palestra de Vítor Cardoso, à Química, com João Paulo André, à Matemática, com Jorge Buescu, e novamente às Neurociências, com a palestra do compositor norte-americano Bruce Adolphe e a estreia mundial do seu Sexteto “Dreaming and Thinking”.

Os concertos do 3.º Ciclo Musical-Mente, em 2023/2024, apresentaram um tríptico monográfico inspirado pela(s) ideia(s) de liberdade, na antecâmara do cinquentenário do 25 de Abril. Os concertos foram antecedidos por palestras/prelúdios políticos, propondo uma reflexão sobre os nexos entre a arte e a política. De Novembro de 2023 a Março de 2024 evocou-se o génio criativo de três compositores na esfera dos regimes políticos do seu tempo: a liberdade absoluta de Ludwig van Beethoven inspirada pelo Iluminismo, a liberdade reprimida de Dmitri Schostakovich sob o jugo soviético, a liberdade exilada de Erich Wolfgang Korngold como fuga ao nazismo. Os “prelúdios políticos” aos concertos foram proferidos por Rui Moreira, Irene Flunser Pimentel e Paulo Rangel.

A 4.ª edição do ciclo Musical-Mente foi dedicada às relações íntimas entre música e poesia, através de três concertos monográficos consagrados a Antonio Vivaldi, Franz Liszt e Astor Piazzolla. Cada concerto foi antecedido por um prelúdio poético, sublinhando a centralidade da palavra e da imaginação literária na génese destas obras. O ciclo abriu com As Quatro Estações de Vivaldi, um dos primeiros e mais emblemáticos exemplos de música programática, cuja partitura integra quatro sonetos que evocam, em sons e palavras, a passagem do tempo. O violinista Jack Liebeck e o Juventus Ensemble conduziram o público pelas atmosferas sensoriais de cada estação, evidenciando a proximidade estrutural e expressiva entre verso e música.

O ciclo prosseguiu com a exploração das afinidades poéticas do Nuevo Tango de Piazzolla, profundamente marcado pelo diálogo com poetas como Jorge Luis Borges e Horacio Ferrer. Em março, a cantora uruguaia Ana Karina Rossi, musa de Ferrer, apresentou-se com um quinteto liderado pelo bandoneonista Héctor del Curto, colaborador do próprio Piazzolla e de figuras históricas como Osvaldo Pugliese.

Em maio de 2025, Filipe Pinto-Ribeiro encerrou o ciclo com um recital dedicado a Franz Liszt, explorando algumas das suas mais notáveis criações pianísticas inspiradas pela literatura, de Dante Alighieri a Victor Hugo, Alphonse de Lamartine e Francesco Petrarca. Destaque para a Sonata Dante (Sonata quasi una Fantasia – Après une lecture du Dante), poderosa tradução musical da Divina Comédia e do poema homónimo de Victor Hugo, síntese maior do ideal romântico de fusão entre música e poesia.

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