O compositor Carlos Azevedo, nascido em Vila Real em 1964, é o vencedor do Prémio de Composição DSCH – Schostakovich Ensemble 2025. O galardão, no valor de 6.000 euros, foi criado em 2019 pela DSCH – Associação Musical, com o apoio da Direção-Geral das Artes, com o propósito de distinguir um compositor português pela excelência da sua obra e percurso, promovendo e valorizando a criação musical erudita contemporânea.
Figura singular no panorama musical português, Carlos Azevedo tem construído uma carreira ímpar que atravessa com igual mestria a música erudita e o jazz. Compositor, arranjador, pianista e pedagogo, destaca-se pela versatilidade criativa e pela solidez de uma linguagem profundamente pessoal, reconhecida tanto no repertório contemporâneo como no universo jazzístico.
Formado no Conservatório de Música do Porto, concluiu o Curso Superior de Piano e, posteriormente, o Curso Superior de Composição na Escola Superior de Música do Porto (1991). Prosseguiu estudos no Reino Unido, onde obteve o Mestrado e, mais tarde, o Doutoramento em Composição pela Universidade de Sheffield, sob orientação de George Nicholson.
Professor na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo desde 1999, Azevedo tem desempenhado um papel central na formação de novas gerações de compositores, contribuindo de forma decisiva para o dinamismo do ensino superior da música em Portugal.
Paralelamente, construiu uma marcante trajetória na Orquestra Jazz de Matosinhos, onde trabalhou durante 25 anos como pianista, compositor e arranjador, colaborando com nomes de referência internacional.
Entre as suas obras destacam-se Crossfade (para orquestra sinfónica, orquestra de jazz e solista), Largo (orquestra sinfónica), Mumadona (ópera em três atos), Labirintho (violoncelo solo), Tempo de Outono (clarinete e piano), Brexit (quarteto de cordas), O Bispo (ensemble de sopros) e Short Term Memory (violoncelo solo e ensemble). Várias destas obras foram encomendadas por instituições e festivais de relevo, e dedicadas a intérpretes de referência no panorama atual.
A sua discografia jazística reflete igualmente a amplitude estética da sua obra, com registos como Lenda (2000), Portology (2007), Our Secret World (2010), Bela Senão Sem (2012), assim como projetos de quarteto e ensemble, incluindo Origens, Lento, After Midnight, Serpente e Pilgrimage.
Com uma escrita que alia rigor técnico, imaginação sonora e expressividade profunda, Carlos Azevedo afirma-se como uma das vozes mais originais e influentes da música portuguesa contemporânea, num permanente diálogo entre tradição, inovação e improvisação.
O Prémio de Composição DSCH é atribuído pelo prestigiado DSCH – Schostakovich Ensemble, dirigido artisticamente por Filipe Pinto-Ribeiro. Os vencedores das edições anteriores foram Luís Tinoco (2019), Eurico Carrapatoso (2021), Andreia Pinto-Correia (2023) e Sérgio Azevedo (2024).
Fundado em 2006, o DSCH – Schostakovich Ensemble é hoje considerado uma das formações de câmara mais relevantes a nível internacional, com álbuns dedicados a Schostakovich e Beethoven, editados pela Paraty/Harmonia Mundi–PIAS, acolhidos pela crítica especializada com as mais elevadas distinções.